Andrew e Epstein pediram 'atos sexuais' a 'dançarina exótica', segundo carta de advogados
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Jean-Luc Brunel: quem é o francês que liga o Brasil ao caso Epstein
O irmão do rei Charles III, Andrew Mountbatten-Windsor, e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein (1953-2019) pediram a uma dançarina exótica que "executasse diversos atos sexuais" na casa de Epstein na Flórida (EUA), segundo uma carta preparada pelos advogados da pessoa envolvida, que não foi identificada.
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A carta publicada faz parte do mais recente lote de arquivos de Epstein. Nela, os advogados da mulher declararam que ela recebeu uma oferta de US$ 10 mil (cerca de R$ 52,6 mil) para dançar e que, após sua apresentação, Epstein e Mountbatten-Windsor pediram um ménage à trois.
Os advogados afirmam que a mulher teria sido "tratada como uma prostituta", não recebeu o valor prometido e que manteria em confidencialidade o suposto encontro de 2006, em troca de um pagamento de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão).
A BBC News entrou em contato com Mountbatten-Windsor em busca de comentários. Ele sempre negou ter cometido qualquer ilegalidade.
Datada de março de 2011, a carta afirma que a mulher e outras dançarinas exóticas do "Clube de Striptease de Raquel", em West Palm Beach, foram levadas de carro para a casa de Epstein. Lá, elas receberam uma oferta de US$ 10 mil para se apresentarem.
Segundo o documento, ela havia observado "outras jovens com roupas provocantes" na festa. Algumas delas "pareciam ter 14 anos de idade".
Assim que chegou, ela foi levada para o andar de cima, onde Epstein a apresentou para Mountbatten-Windsor, segundo a carta.
"Minha cliente, então, dançou para os homens e tirou as roupas até ficar vestida apenas com sutiã e calcinha", relata o advogado. "O sr. Epstein e o príncipe Andrew disseram então para a minha cliente que eles queriam ter um ménage à trois.
"Ela respondeu que foi contratada para dançar, não para fazer sexo. O sr. Epstein afirmou que pagaria a ela mais tarde pela dança e eles a convenceram a realizar diversos atos sexuais."
A carta afirma que, "depois que os homens ficaram satisfeitos", ela foi convidada a viajar com a dupla para as Ilhas Virgens, o que ela recusou.
Os advogados declararam que, do valor prometido de US$ 10 mil, ela recebeu US$ 2 mil (cerca de R$ 10,5 mil).
Jeffrey Epstein e o príncipe Andrew
Getty Images
A mulher não havia buscado seus direitos anteriormente porque "não tinha orgulho das circunstâncias daquela noite", segundo a carta. "Ela estava trabalhando como dançarina exótica, mas foi tratada como uma prostituta."
Não se sabe ao certo se a questão foi resolvida.
E-mails mostram que Epstein também organizou um jantar em Londres entre Mountbatten-Windsor e uma mulher russa de 26 anos de idade, em agosto de 2010.
A mulher agradeceu a Epstein posteriormente, descrevendo o evento como uma "noite incrível" e sua viagem a Londres como "uma aventura especial".
Nos e-mails, Epstein entra em contato com o ex-príncipe no dia 11 de agosto, para contar sobre uma amiga: "Acho que você poderá gostar de jantar com ela".
Mountbatten-Windsor responde que seria "um prazer conhecê-la" e pergunta se há alguma informação sobre ela que possa ser "útil".
Epstein, então, descreve a mulher como sendo "de 26 anos, russa, inteligente, bonita e de confiança".
A correspondência e a sugestão do encontro ocorreram dois anos depois da condenação de Epstein por solicitar prostituição de uma menor de idade e do seu registro como agressor sexual.
A mulher russa entrou em contato com Epstein no dia 8 de agosto de 2010, pedindo seu conselho.
"Se eu for para Londres [no meu caminho de volta da Rússia] algum dia entre 27 de agosto e 5 de setembro, você acha que alguém estará lá e quais são as melhores datas?", perguntou ela.
Epstein responde sugerindo as "melhores" datas e a mulher confirma a compra das passagens, informando que estaria em Londres entre os dias 20 e 25 de agosto.
Mais tarde, no mesmo dia, Epstein escreveu para Mountbatten-Windsor, sugerindo o jantar com sua "amiga". "Seu nome é [excluído] e ela estará em Londres em 20-24."
O ex-príncipe respondeu: "Claro. Estou em Genebra [na Suíça] até 22 de manhã, mas seria um prazer conhecê-la."
"Ela irá trazer uma mensagem sua? Por favor, dê a ela meus dados para entrar em contato."
Em outro e-mail, ele acrescenta: "Ótimo. Alguma outra informação que você possa ter sobre ela e talvez seja útil? Como o que você disse a ela sobre mim e se você também deu o meu e-mail?"
No dia seguinte, Epstein escreveu para a mulher russa, dizendo "noite do dia 22 confirmada".
Ela responde: "Ótimo!!!!!!! Devo enviar um e-mail para ele [endereço de e-mail de Mountbatten-Windsor]? Mal posso esperar! Obrigada."
Troca de e-mails entre Epstein e "O Duque", que acredita-se ser Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles 3°, estão entre os documentos divulgados.
Getty Images via BBC
Os e-mails não confirmam se o jantar realmente aconteceu. Mas, em resposta a um e-mail de Epstein no dia 22 de agosto, perguntando "mas você está se divertindo?", a mulher russa escreve: "Tive uma noite incrível, obrigada!"
No dia 25 de agosto, ela envia outro e-mail para Epstein, dizendo estar indo para a Rússia e agradecendo a ele por tudo. "Minha viagem foi uma aventura muito especial."
A correspondência observada pela BBC sugere que Epstein organizou intencionalmente encontros entre a mulher russa e seus associados em mais de uma ocasião.
E-mails de agosto de 2010 indicam que a mulher viajou para Londres via Bahamas, onde Epstein organizou sua visita a "Eduardo".
A BBC entende que se trate do empresário italiano Eduardo Teodorani, presidente do conselho e vice-presidente da Câmara Italiana de Comércio e Indústria no Reino Unido. A BBC enviou a Teodorani um pedido de comentários.
Mountbatten-Windsor enfrenta pressões cada vez maiores para fornecer evidências sobre seu relacionamento com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
O último lote dos arquivos de Epstein, publicado na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluiu fotografias que, aparentemente, mostram o ex-príncipe ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. Ambos estão totalmente vestidos.
Ele é acusado de ter abusado sexualmente de Virginia Giuffre (1983-2025) quando ela era adolescente e, segundo ela, foi vítima de tráfico por parte de Epstein.
Mountbatten-Windsor negou repetidas vezes as acusações. Ele fez um acordo financeiro com Giuffre em 2022, para pôr fim a uma ação civil por abuso sexual.
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