Assassinato em academia no PR: autor esperou vítima por quase uma hora no estacionamento antes de cometer o crime, diz delegado

  • 14/01/2026
(Foto: Reprodução)
Homem é assassinado em academia do PR após emboscada em estacionamento Nesta quarta-feira (14), a Polícia Civil (PC-PR) concluiu o inquérito que investiga a morte de David Schmidt Prado, de 37 anos, em uma academia de Londrina, no norte do Paraná. Lucas Wancler Ferreira dos Santos foi indiciado por homicídio qualificado. Segundo o delegado Magno Miranda, no dia do crime, Lucas esperou por David no estacionamento da academia por quase uma hora. Ele estava com uma faca na mão e quando a vítima chegou, a golpeou por pelo menos cinco vezes. ✅ Siga o canal do g1 Londrina no WhatsApp Lucas está preso preventivamente desde a audiência de custódia, na terça-feira (6), em que permaneceu em silêncio, assim como no depoimento. A defesa dele disse que não irá se manifestar sobre a decisão da polícia. Leia a nota da advogada na íntegra no final desta reportagem. O crime aconteceu no dia 5 de janeiro e, conforme a polícia apurou, foi motivado por ciúmes. As câmeras de segurança do estabelecimento filmaram toda a ação. Assista acima. O delegado informou, nesta quarta, que a causa da morte de David ficou confirmada como "hemorragia aguda por ferimentos provocados por instrumento pérfuro-cortante". "O conjunto probatório produzido inclui, entre outros elementos, a prisão em flagrante, relatos de testemunhas presenciais, apreensão da arma utilizada, registros audiovisuais e laudos periciais já juntados aos autos. [...] A Polícia Civil segue cumprindo diligências complementares requisitadas pelo Ministério Público, as quais visam reforçar e ampliar o acervo probatório para subsidiar a futura ação penal", informou o delegado. Para isso, a polícia deve colher novas informações junto ao Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atenderam a ocorrência. Também serão obtidas novas imagens registradas por câmeras de segurança da academia, e depoimentos de novas testemunhas que estavam no estabelecimento no dia do crime. O material será entregue ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que deverá analisar o procedimento e decidir por denunciar Lucas ou não. Confira nesta reportagem sete pontos para entender o caso: Como foi o crime Motivação e ciúmes Quem é a vítima O que a defesa diz Como foi o crime Conforme o relatório da Polícia Civil, as imagens das câmeras mostram Lucas sentado no estacionamento da academia, mexendo no celular, às 18h41 da segunda-feira (5). Quando David passou por ele, saindo do treino, Lucas se levantou e escondeu a faca atrás do corpo enquanto se aproximava da vítima. Os dois conversaram brevemente antes de David ser ferido pelo primeiro golpe. Ele tentou fugir, mas foi atingido cinco vezes: quatro enquanto estava no estacionamento e uma depois de pular a catraca e buscar ajuda dentro da academia. Momento em que Lucas aborda David e esconde a faca atrás do corpo. Reprodução O relatório da polícia ainda cita que, enquanto David "clamava por socorro e por atendimento médico", Lucas ficou "observando por vários segundos o sofrimento imposto, sem prestar qualquer auxílio". Um policial militar de folga, que estava treinando na academia, rendeu Lucas e impediu que as agressões continuassem. "No momento eu imaginei que fosse um assalto. Não estava entendendo o que estava acontecendo. E nesse momento ele começou a gritar 'chama a ambulância, chama a ambulância, socorro, me ajuda', e saía muito sangue dele. Peguei meu celular para ligar para a ambulância. E na hora que eu retornei, eu percebi que tinha um cara armado. E nisso eu saquei a arma. No momento que eu saquei a arma, ele jogou a faca no chão e comecei a dar voz de abordagem para ele, pedindo para ele ir pro chão", o policial militar explicou em depoimento. Momento em que o policial militar segura Lucas. Reprodução Em seguida, o policial relatou que imobilizou Lucas e o questionou o motivo das agressões. "[...] eu perguntei para o autor, falei 'cara, porque você fez isso?'. E ele falou que parece que a vítima tinha mexido com a mulher dele. Nessas palavras que ele falou: 'ele mexeu com a minha mulher'", disse. O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi à academia, mas David não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo da vítima foi levado pela Polícia Científica de Londrina. A Polícia Militar (PM-PR) esteve no estabelecimento, conduziu Lucas à delegacia e apreendeu a faca usada no homicídio. Motivação e ciúmes Lucas e David não se conheciam, de acordo com a investigação da polícia. Entretanto, o autor e a vítima conversaram por telefone quatro meses antes do homicídio. Esse contato aconteceu quando a esposa de Lucas contou a ele que se relacionou brevemente com David. Isso porque ela e Lucas estão em processo de divórcio desde antes desse encontro e os dois estavam vivendo em casas separadas. "Ela nos disse que o motivo dessa separação que já ocorria há alguns meses seriam crises conjugais em virtude de crises financeiras", explicou Miranda. Lucas foi até David no momento em que ele estava saindo da academia, em Londrina. Reprodução Mesmo que David e a mulher não estivessem mais se encontrando ou mantendo contato há quatro meses, a investigação aponta que Lucas criou a emboscada por causa da descoberta. "Segundo o que a gente colheu de relato de testemunhas, a motivação está diretamente ligada [ao relacionamento]. Não digo nem ciúmes, digo uma revolta, haja vista que eles estavam separados e ele descobriu esse fato", o delegado disse. Quem é a vítima David Schmidt Prado tinha de 37 anos e, segundo familiares, deixou um filho de seis anos. David Schmidt Prado, de 37 anos, morreu após ser esfaqueado dentro de uma academia de Londrina. Cedida/Família Ele trabalhava no setor administrativo de uma rede de postos de combustíveis em Londrina. A família dele é de Cornélio Procópio, cidade a 67 quilômetros de distância e onde aconteceu o sepultamento, nesta quarta-feira (7). Ele estava em um relacionamento há três meses com Jheniffer Balardi. Ela conversou com a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná e esclareceu que não conhece Lucas e que não está envolvida na suposta motivação por ciúmes. Segundo Jheniffer, o namorado sempre foi transparente e não deu a entender que estava sendo ameaçado. O que diz a defesa Lucas foi preso e permaneceu em silêncio durante o depoimento. Reprodução Em nota divulgada nesta quarta-feira (14), a advogada Thais Indiara Pereira dos Santos, que representa Lucas, afirmou que acompanha a investigação. Leia na íntegra: "A defesa de Lucas Wancler Ferreira dos Santos, por intermédio de sua advogada, informa que não irá se manifestar neste momento sobre o indiciamento divulgado pela autoridade policial. Ressalta-se que o procedimento investigatório ainda será submetido à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário, oportunidade em que a defesa exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa, nos termos da lei. Por ora, a defesa se limita a reafirmar seu compromisso com o devido processo legal e com a preservação dos direitos e garantias do investigado." Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/01/14/assassinato-em-academia-no-pr-finaliza-inquerito.ghtml


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