Bagre isolado e formações raras são achados em 7 novas cavernas no interior de SP
16/02/2026
(Foto: Reprodução) O que existe abaixo da Serra dos Cocais? Grupo descobre 7 cavernas e fauna inédita
Uma expedição científica revelou a existência de sete novas cavernas na região da Serra dos Cocais, situada entre os municípios de Itatiba, Valinhos, Vinhedo e Louveira (SP). A descoberta, consolidada no final de 2025, abre portas para estudos inéditos sobre a fauna local e o passado geológico da área.
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O trabalho foi realizado pelo Grupo da Geo de Espeleologia (GGEO), fundado por estudantes do Instituto de Geociências da USP, em parceria com o Instituto Serra dos Cocais (ISC). O grupo, que já realizava prospecções e mapeamentos de cavernas graníticas na região de Valinhos, ampliou sua área de atuação para chegar aos novos achados.
Segundo os pesquisadores, essas formações desempenham um papel essencial para o equilíbrio ambiental. As fissuras e cavidades permitem a infiltração e o armazenamento de água, funcionando como reservatórios naturais que mantêm a umidade e favorecem o desenvolvimento de florestas densas.
Cavernas tem grande importãncia
Grupo da Geo de Espeleologia (GGEO)
“São achados de grande relevância para a Serra dos Cocais, pois permitem a realização de mais pesquisas e estudos para compreender melhor os processos que levam à formação de cavernas graníticas, ao surgimento de estruturas minerais em seu interior, ao impacto na dinâmica hídrica da região e ao reconhecimento das espécies que as habitam ou utilizam”, explicam os membros do grupo e do instituto.
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Bagre raro e isolado
Em uma das cavernas recém-mapeadas, os pesquisadores identificaram um bagre do gênero Ituglanis, apontado como potencialmente endêmico — ou seja, que só existe naquele local específico.
"Um forte indício de endemismo é a ausência de registros científicos de espécies desse gênero ocupando cavernas graníticas, o que reforça a hipótese de que as populações presentes na Serra dos Cocais tenham passado por todo o processo de especiação, ou seja, o surgimento de uma nova espécie com o passar do tempo, no próprio local em que vivem", detalha a equipe do estudo.
Pesquisadores identificaram um bagre do gênero Ituglanis, potencialmente endêmico.
Grupo da Geo de Espeleologia (GGEO)
Observações preliminares, realizadas em conjunto com o Laboratório de Estudos Subterrâneos da UFSCar, indicam um comportamento curioso: indivíduos mais jovens parecem habitar zonas mais profundas e sem luz das cavidades, enquanto os adultos foram registrados próximos à entrada, em áreas iluminadas.
Piscina natural e pistas do passado
Outro achado que surpreendeu o GGEO e o ISC foi uma piscina natural incrustada no granito, localizada no topo de um morro da serra. A suspeita é de que o local tenha preservado pólen fossilizado.
O material funciona como um registro biológico do passado, estudado pela Palinologia. A análise permite identificar quais plantas existiram ali em diferentes épocas, ajudando a compreender as mudanças climáticas e na vegetação ao longo dos séculos.
Se confirmada a presença do pólen, será possível reconstruir a história ambiental da Serra dos Cocais. Os estudiosos ressaltam, porém, que a hipótese ainda depende de coletas em expedições futuras.
Formações minerais raras
As cavernas de granito são formadas por rochas de baixa solubilidade e, por isso, normalmente não apresentam espeleotemas — as famosas formações minerais (como estalactites) comuns em cavernas de calcário.
No entanto, a Serra dos Cocais desafiou essa regra. Na chamada Caverna dos Corais, foi identificada a maior concentração de espeleotemas em granito da região. São formações do tipo coraloide, que lembram pequenos corais marinhos.
A Caverna dos Corais concentra a maior quantidade de espeleotemas em granito registrada até agora pelas pesquisas.
Grupo da Geo de Espeleologia (GGEO)
"Como o ambiente granítico não costuma oferecer condições favoráveis para esse desenvolvimento, a ocorrência dessas estruturas na região tornou-se um dos principais focos do estudo, já que registros desse tipo são raros em escala global", relatam os pesquisadores.
Formações semelhantes também foram encontradas nas cavernas do Jequitibá e da Ritinha, reforçando a necessidade de preservação dessas cavidades geológicas únicas.
*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
Espeleotemas de formações coraloides na Caverna do Jequitibá.
Grupo da Geo de Espeleologia (GGEO)
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