Chefe do PCC foragido mandou sequestrar a própria filha para cobrar dívida de US$ 100 mil do ex-sogro
09/03/2026
(Foto: Reprodução) CNJ pede explicações para desembargador que soltou Palermo
O chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) Gerson Palermo é acusado de mandar sequestrar a própria filha, Gabrielly Sanches Palermo, de 25 anos, em outubro de 2025, em Campo Grande (MS), para cobrar uma suposta dívida da família. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o objetivo do crime era pressionar o ex-sogro dele a pagar até US$ 100 mil.
Meses depois do sequestro, a Justiça autorizou que Gabrielly atue como assistente de acusação no processo criminal contra o próprio pai. O marido dela, Weslley Henrique Sorti de Almeida, também pediu para participar da ação.
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A investigação aponta que o dinheiro cobrado por Palermo seria um valor que ele teria deixado sob a guarda do ex-sogro Salvador Sanches em 2015. Nas apurações, o valor citado varia entre US$ 100 mil e 200 mil euros.
A seguir, veja o que se sabe sobre o caso.
Como aconteceu o sequestro
O crime ocorreu em outubro de 2025 e foi investigado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).
Segundo a denúncia do Ministério Público, Reinaldo Silva de Farias é apontado como cúmplice na execução do sequestro. Ele teria mantido Gabrielly em cativeiro em casa própria e feito ligações para pressionar a família a pagar o resgate.
Em uma das ameaças, os suspeitos teriam enviado à família uma foto da vítima amarrada no chão.
O g1 não localizou as defesas de Reinaldo Silva de Farias, Gabrielly Sanches Palermo e Weslley Henrique Sorti de Almeida até a última atualização desta reportagem.
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Resgate da vítima
Gabrielly foi localizada e libertada pela polícia no dia 25 de outubro de 2025, em uma casa no bairro Moreninhas, em Campo Grande.
Após o resgate, ela relatou que sofreu agressões enquanto esteve em cativeiro.
“A vítima relatou ter sido agredida com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada", diz a denúncia.
Segundo a investigação, o marido dela também recebeu ameaças durante o sequestro. Os suspeitos exigiam o pagamento do resgate, que não chegou a ser pago.
Suspeito preso
Durante as buscas, policiais prenderam Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos. Com ele, os investigadores apreenderam armas de fogo, celulares e um carro usado no crime. A casa onde Gabrielly ficou em cativeiro também foi identificada e passou por perícia.
Inicialmente, Reinaldo foi preso em flagrante por extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça. Posteriormente, decisões judiciais concederam liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições de distância.
Quem é Gerson Palermo
Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de cadeia.
Redes sociais/Reprodução
Gerson Palermo é apontado por investigações como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e tem um longo histórico criminal.
Ele ganhou notoriedade nacional após participar do sequestro de um avião da empresa Vasp, em agosto de 2000. A aeronave, um Boeing 727, havia decolado do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (PR) com destino a Curitiba.
Cerca de 20 minutos depois da decolagem, o grupo criminoso tomou o controle do avião e obrigou o piloto a pousar em Porecatu (PR). No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Investigação por tráfico internacional
Anos depois, Palermo voltou a ser alvo de outra grande investigação. Em 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In, que apurou um esquema de tráfico internacional de drogas.
Segundo as investigações, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS). Depois, a droga era transportada em caminhões para outros estados do país.
A operação ocorreu em seis estados e resultou na apreensão de 810 quilos de cocaína.
Pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Somadas, as penas chegam a quase 126 anos.
Fuga após decisão judicial
Palermo cumpria pena no Estabelecimento Penal Federal de Segurança Máxima de Campo Grande quando, em 2020, recebeu autorização judicial para cumprir prisão domiciliar, sob a justificativa de problemas de saúde.
Poucas horas depois de deixar o presídio, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.
Desde então, não foi mais localizado e integra a lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
Punição ao desembargador
A decisão que concedeu a prisão domiciliar foi posteriormente anulada.
Em fevereiro deste ano, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou ao então desembargador Divoncir Schreiner Maran a pena de aposentadoria compulsória.
Segundo o relator do processo, conselheiro João Paulo Schoucair, a medida foi tomada sem comprovação médica e extrapolou os limites da atuação judicial. O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
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