Eleições na Hungria: líderes repercutem derrota de Orbán

  • 12/04/2026
(Foto: Reprodução)
Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso' Líderes globais se manifestaram sobre as eleições na Hungria neste domingo (12), vencidas pelo partido de oposição Tisza, que conquistou maioria no Parlamento. O resultado encerrou 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos principais nomes da extrema direita. Com 95,63% das urnas apuradas, a legenda conquistou 137 cadeiras no Parlamento de 199 assentos. Liderada por Péter Magyar, de centro-direita, o partido formará o próximo governo. O partido Fidesz, liderado por Orbán, ficou com 55 cadeiras, enquanto o Mi Hazánk alcançou 7 assentos, segundo o órgão eleitoral nacional (NVI). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja a repercussão entre líderes globais: Ursula von der Leyen A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de janeiro de 2026 REUTERS/Yves Herman A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, após o resultado, que "o coração da Europa está batendo mais forte na Hungria nesta noite”. "Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Um país retoma seu caminho europeu. A União fica mais forte", escreveu Von der Leyen. Emmanuel Macron O presidente francês Emmanuel Macron. Reuters O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, em publicação no X, que conversou com o líder da oposição, Péter Magyar, e o parabenizou pela vitória. "A França saúda a vitória da participação democrática, o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa", escreveu Macron. "Vamos avançar juntos rumo a uma Europa mais soberana, pela segurança do nosso continente, pela nossa competitividade e pela nossa democracia", concluiu. Friedrich Merz O chanceler alemão Friedrich Merz REUTERS/Liesa Johannssen O chanceler alemão Friedrich Merz parabenizou Magyar e afirmou ter interesse em cooperar por "uma Europa unida, forte e segura". "O povo húngaro decidiu. Meus sinceros parabéns pelo seu sucesso eleitoral, caro Magyar. Estou ansioso para trabalhar com você", disse, em publicação no X. "Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida. Parabéns, kedves Magyar Péter!" Keir Starmer Keir Starmer REUTERS/Jaimi Joy O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também publicou nas redes sociais uma mensagem parabenizando o líder da oposição na Hungria, Péter Magyar: "Parabéns, Péter Magyar, pela sua vitória eleitoral. Este é um momento histórico, não só para a Hungria, mas para a democracia europeia. Espero trabalhar consigo pela segurança e prosperidade dos nossos dois países." Volodymyr Zelensky O prsidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, concede entrevista em Kiev GENYA SAVILOV / AFP O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a vitória de Magyar como "retumbante" e afirmou ser "importante quando prevalece uma abordagem construtiva". "A Ucrânia sempre buscou boas relações de vizinhança com todos na Europa e estamos prontos para avançar na nossa cooperação com a Hungria", afirmou. Zelensky acrescentou que a Europa e seus países precisam se fortalecer e que milhões de europeus buscam cooperação e estabilidade. "Estamos prontos para reuniões e trabalho construtivo conjunto em benefício de ambas as nações, bem como pela paz, segurança e estabilidade na Europa", concluiu. Quem é Orbán e o que mudou no cenário político do país Orbán é um dos principais nomes da extrema direita global. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo. Até este ano, o partido de Orbán, Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal". As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+. Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular. A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos. Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados. Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço. Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza. VEJA QUEM É PÉTER MAGYAR: Quem é Péter Magyar, o opositor de Viktor Orbán na Hungria O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido. Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal. O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema". O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán. Viktor Orbán e Péter Magyar disputam as eleições na Hungria REUTERS Interferência estrangeira Líder juvenil anticomunista na Guerra Fria, Orbán é o governante há mais tempo no poder na União Europeia. Para apoiadores, ele é um símbolo patriótico por ter liderado mobilizações pró-democracia no fim da década de 1980. Críticos, porém, afirmam que o premiê conduz o país para o autoritarismo. Nos últimos anos, Orbán usou como um dos pilares de governo a construção de alianças com líderes globais, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump, inclusive, atuou diretamente na campanha atual. O presidente norte-americano recebeu Orbán na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à reeleição do premiê nas redes sociais. "Espero continuar trabalhando em estreita colaboração com ele para que ambos os países possam avançar ainda mais nessa trajetória rumo ao sucesso e à cooperação", escreveu. "Viktor Orbán é um verdadeiro amigo, lutador e vencedor, e tem meu apoio total e irrestrito para a reeleição." Dias antes da eleição, Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê. Em discurso, Vance acusou a União Europeia de tentar interferir no pleito e classificou a estratégia como "vergonhosa". "O que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral é um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que eu já vi ou mesmo li a respeito", disse. Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, em discurso em Budapeste, na Hungria, em 8 de abril de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst/Pool

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/12/eleicoes-na-hungria-repercussao.ghtml


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