Inteligência dos EUA levanta dúvidas sobre cooperação da líder da Venezuela, diz agência

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, discursa em 8 de janeiro de 2026 durante a cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores Leonardo Fernandez Viloria/Reuters Relatórios de inteligência dos Estados Unidos levantaram dúvidas sobre se a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, cooperará com o governo de Donald Trump ao cortar formalmente os laços com adversários dos EUA, disseram nos últimos dias quatro pessoas familiarizadas com os documentos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Autoridades americanas afirmaram publicamente que querem que a presidente interina rompa relações com aliados internacionais próximos como Irã, China e Rússia, inclusive expulsando seus diplomatas e assessores da Venezuela. Mas Rodríguez, cuja cerimônia de posse contou com a presença de representantes desses países no início deste mês, ainda não anunciou publicamente tal medida. Ela se tornou presidente após os EUA capturarem o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Segundo as fontes, os relatórios de inteligência dos EUA afirmam que não está claro se ela está totalmente alinhada com a estratégia americana para o país. As fontes pediram anonimato. O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou a Caracas em 15 de janeiro, onde discutiu o futuro político do país com Rodríguez. A Reuters não conseguiu determinar se essas conversas alteraram a avaliação das agências de inteligência. Washington quer conter a influência de seus adversários no Hemisfério Ocidental, inclusive na Venezuela, onde Trump busca explorar as vastas reservas de petróleo do país membro da Opep. Se Rodríguez rompesse laços com os rivais dos EUA, isso abriria mais oportunidades para investimentos americanos no setor de energia venezuelano. Mas a incapacidade de controlar Rodríguez poderia minar os esforços de Washington para direcionar os governantes interinos do país à distância e evitar um envolvimento militar americano mais profundo. A Agência Central de Inteligência (CIA) e o governo da Venezuela não responderam a pedidos de comentário. Procurado, um alto funcionário do governo Trump, que pediu para não ser identificado, disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, “continua a exercer forte pressão” sobre os líderes da Venezuela e “espera que essa cooperação continue”. Delcy Rodriguez diz que ação militar americana é ilegítima, ao tomar posse como presidente da Venezuela LEIA MAIS 'Chega de ordens de Washington', diz presidente interina da Venezuela 'Chavismo 3.0': o círculo de confiança de Delcy Rodríguez e quem ganhou poder com a queda de Maduro na Venezuela Abandonar aliados históricos? A CIA já havia avaliado que autoridades leais a Maduro, incluindo Rodríguez, estavam mais bem posicionadas para governar o país após sua deposição. Mas críticos da estratégia de Trump para a Venezuela expressaram dúvidas sobre a sabedoria de manter aliados de Maduro como líderes interinos. As preocupações com a confiabilidade de Rodríguez existiam antes da operação militar dos EUA, disseram duas fontes. Para a Venezuela, a diretriz dos EUA significa abandonar seus aliados mais próximos fora da região. O Irã ajudou a Venezuela a reparar refinarias de petróleo, enquanto a China recebeu petróleo como pagamento de dívidas. A Rússia forneceu armamentos, incluindo mísseis, às Forças Armadas venezuelanas. Trump também citou Cuba, governada por comunistas, como outro adversário dos EUA que ele quer que a Venezuela abandone. Havana forneceu apoio de segurança e inteligência enquanto recebe petróleo venezuelano a preços reduzidos. Desde a remoção de Maduro, Rodríguez — cujos profundos vínculos com o setor de petróleo são cruciais para manter o país estável — tomou medidas para se manter em boa relação com Washington, incluindo a libertação de presos políticos e a autorização da venda de 30 milhões a 50 milhões de barris de petróleo para os Estados Unidos. Em um discurso no domingo, Rodríguez disse que já estava “farta” da intervenção dos EUA. Ainda assim, autoridades americanas também tiveram conversas positivas com ela nos últimos dias, segundo duas das fontes. O governo Trump não vê uma alternativa imediata ao trabalho com Rodríguez, dado que a apoiou publicamente de forma tão contundente, disseram duas fontes. Mas autoridades dos EUA estão desenvolvendo contatos com altos oficiais militares e de segurança, caso decidam mudar de abordagem, disse uma fonte informada sobre a política para a Venezuela. Machado considerada uma opção de longo prazo para governar a Venezuela Os relatórios recentes de inteligência também concluíram que a líder da oposição María Corina Machado não é, no momento, capaz de governar o país com sucesso, em parte porque não tem laços fortes com os serviços de segurança ou o setor de petróleo, disseram as fontes. Alguns observadores e o movimento de Machado afirmam que ela venceu as eleições de 2024 por ampla margem, embora o Estado tenha respaldado uma vitória de Maduro. Ela permanece popular entre os venezuelanos. Trump disse a repórteres na semana passada que queria Machado “envolvida” na liderança do país, sem dar detalhes. Uma pessoa familiarizada com as discussões do governo com Machado disse que ela é bem-vista pela Casa Branca e considerada uma opção de longo prazo para um cargo de liderança na Venezuela. Outra fonte informada sobre a política para a Venezuela sugeriu que, por ora, Machado poderia ser considerada para um papel de assessoria, mas nenhuma decisão firme havia sido tomada. Representantes de Machado não responderam a um pedido de comentário.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/27/eua-duvidas-cooperacao-lider-venezuela.ghtml


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