Investigação aponta uso de criptomoedas para ocultar dinheiro em esquema ligado a MC Ryan SP
21/04/2026
(Foto: Reprodução) 14543272
Uma investigação da Polícia Federal aponta que criptomoedas foram usadas para ocultar a origem de recursos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao funkeiro MC Ryan SP, preso na última semana. A operação, que também levou à prisão de MC Poze do Rodo, apura a movimentação de valores milionários provenientes de atividades ilegais, como jogos clandestinos e tráfico de drogas.
Segundo a PF, a conversão era feita com o auxílio do contador Rodrigo Morgado, apontado como peça central da organização.
O Fantástico obteve acesso a um áudio de uma conversa entre Rodrigo e MC Ryan, que mostra menções ao uso de bitcoins e a pedidos de conversão de valores:
“Você consegue fazer um favor para mim lá do bagulho do bitcoins? Tem o que a gente conta ali para pegar, mano”, disse Ryan.
Em outra conversa, Rodrigo orientava sobre como esconder bens:
“Aqui nós não brincamos em serviço não, meu amigo, não coloca no nome do Rian. Proteção patrimonial, lembra que eu te falei aquele dia”.
Investigação da PF: áudios inéditos ligam MC Ryan e MC Poze do Rodo a esquema de R$ 1,6 bilhão
Investigação aponta uso de criptomoedas para ocultar dinheiro em esquema ligado a MC Ryan SP
Reprodução/TV Globo
Investigações e operação
Além das criptomoedas, o grupo utilizava o fracionamento de transferências bancárias como estratégia. De acordo com a PF, grandes quantias eram divididas em centenas de depósitos menores para reduzir a chance de identificação por sistemas de monitoramento financeiro.
A investigação também aponta que redes sociais eram usadas para impulsionar ganhos com publicidade de plataformas de jogos ilegais. Em um dos casos, o cachê para divulgação poderia chegar a R$ 400 mil por dia, com pagamentos realizados por meio de intermediários e empresas.
Outro ponto identificado foi o uso de estabelecimentos comerciais para movimentação de dinheiro. Um restaurante em São Paulo, ligado a pessoas próximas a MC Ryan, teria recebido depósitos de mais de 150 indivíduos, com valores considerados incompatíveis com o serviço prestado, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
A PF afirma ainda que contas de investigados foram utilizadas para movimentar recursos de diferentes origens ilícitas, incluindo tráfico de drogas e crimes financeiros. Parte dessas conexões teria ligação com organizações criminosas atuantes no país.
Durante a operação, realizada em oito estados e no Distrito Federal, foram cumpridos mandados de prisão e apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões.
Em nota, a defesa de MC Ryan SP negou as acusações e afirmou que o artista possui contratos que justificam suas movimentações financeiras. Já os advogados de MC Poze do Rodo também negaram qualquer envolvimento com atividades ilegais e disseram que irão apresentar esclarecimentos à Justiça.
Operação da PF mira MC Ryan e MC Poze do Rodo em investigação sobre esquema bilionário de lavagem de dinheiro
Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
MC Ryan e MC Poze do Rodo: o que a PF investiga no mundo do funk.
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