Mães de autistas criticam 'imposição' de mudanças e Ale-RR pede novo cadastro no Teamarr
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Mães de autistas criticam 'imposição' de mudanças no Teamarr e Ale-RR pede recadastros
Mães de pacientes do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr) classificam como uma imposição a recente mudança na gestão do programa. Uma reunião entre familiares e a nova direção, realizada nesta sexta-feira (10), na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), ficou marcada pela insatisfação.
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Durante o encontro, os novos gestores garantiram a continuidade das terapias a partir do dia 27 de julho. No entanto, anunciaram que, a partir do dia 20 de julho, será necessária uma atualização cadastral para famílias que já eram atendidas pelo programa.
Como justificativa, a nova equipe alegou ausência de dados e relatórios dos pacientes atendidos, mas prometeu que nenhum paciente ficaria desassistido. Entenda mais abaixo.
Para a autônoma Ângela Maria, mãe de um menino de 10 anos atendido pelo programa, o encontro não resolveu a crise. Ela culpa a própria Assembleia pelo cenário de incertezas.
"Aqui não teve a solução do problema, ficou a imposição do que eles querem. Trocaram a equipe, fecharam o prédio, exoneraram todo mundo e não deram solução", criticou Ângela. "A incerteza fica para a criança. Quem sofre o maior prejuízo são os autistas".
Na reunião, os principais questionamentos dos pais foram sobre a mudança na gestão e a troca de profissionais do programa sem aviso prévio. A preocupação das mães é com quebra na rotina de terapias e vínculos com terapeutas. A nova direção prometeu otimizar atendimentos.
A mãe de outro paciente, Tatia Santiago, definiu a situação como algo forçado de cima para baixo. "A nova gestão foi colocada, enfiaram 'goela abaixo' para nós. Já vimos que os antigos [profissionais] não vão voltar. O jeito é aceitar e crer que vá melhorar", lamentou.
Na mesa, além da presença da superintendente de projetos especiais da Ale-RR, Marília Pinto, foi apresentada a nova diretora-geral do Teamarr, Quezia Campos, que disse ter formação como administradora.
Entenda 🔎: A sede do Teamarr foi esvaziada no dia 6 de julho, após uma comitiva liderada pelo presidente da Ale-RR, Jorge Everton (União Brasil), ir ao local e anunciar uma mudança na gestão do programa. A medida ocorreu dias após a exoneração dos servidores comissionados da Casa.
Sobre a equipe antiga, a nova direção afirmou que tenta contato com servidores exonerados para avaliar retornos. No entanto, a gestão relatou que já recebeu respostas negativas devido à condução das mudanças, ou foi ignorada por alguns profissionais, mas admitiu que ainda não conseguiu chegar a todos.
O encontro contou com o professor André Russo, da Universidade Estadual de Roraima (UERR). A instituição prometeu capacitar novos terapeutas ocupacionais para serem integrados ao projeto. A terapeuta Ana Paula Aporta e a neuropediatra Isabela Marques, também compuseram o grupo.
Mães e pais de crianças e adolescentes autistas atendidos pelo Teamarr participaram de reunião com nova gestão.
g1 RR
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Recadastramento e falta de dados
A nova gestão do Teamarr alegou que o recadastramento será necessário por falhas em registros da gestão anterior. Segundo os novos gestores, foram encontrados apenas documentos físicos na unidade, após o esvaziamento. Eles disseram que os papéis contêm informações insuficientes para a continuidade dos tratamentos.
Segundo os novos diretores, os dados ficavam em um sistema privado, que era administrado por pessoas de confiança da deputada Angela Águida Portella (PP), antiga responsável pelo projeto. A nova direção afirma que não recebeu os dados do antigo sistema.
Em nota, a deputada Angela Águida admitiu que o Teamarr "nunca contou com um sistema informatizado de prontuários eletrônicos e cadastros". Mas, disse que as fichas dos beneficiários permaneceram nos armários da unidade do São Francisco e que no dia do esvaziamento do prédio foi gravado um vídeo mostrando as fichas na presença de um servidor da logística da Ale-RR.
A superintendente, Marília Pinto, justificou a falta de controle sobre as informações do Teamarr ao alegar que permitiu uma autonomia excessiva dos parlamentares na condução dos programas sociais.
"Eu não tenho a responsabilidade de elaborar os projetos e decidir as prioridades, porque seria impossível uma pessoa dar conta de todos os projetos. Os deputados sempre detiveram muita autonomia para definir o que importa e a forma como executar", declarou.
Autonomia e ano eleitoral
Perguntado sobre a mudança abrupta na gestão, o procurador-geral da Assembleia, Sérgio Mateus, explicou que é necessário o afastamento de deputados dos projetos sociais neste momento. A medida busca evitar possíveis processos de inelegibilidade em ano eleitoral.
O procurador prometeu a normalização dos serviços para as mais de 750 famílias atendidas. "A Assembleia continuará executando o programa. Fica aqui a segurança de que todas as famílias continuarão com atendimento", garantiu.
O procurador também esclareceu que a exoneração em massa ocorreu em toda a Assembleia para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige ajustes na folha de pagamento nos últimos 180 dias de mandato.
Mesa de apresentação de nova direção do Teamarr, da Assembleia Legislativa de Roraima.
g1 RR
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