Mendonça na relatoria do caso Master: entenda o que está em jogo e o que vem pela frente

  • 14/02/2026
André Mendonça acumula divergências em julgamentos no STF O ministro André Mendonça é o novo relator dos procedimentos sobre o caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele substitui o ministro Dias Toffoli, que deixou a função nesta quinta-feira (12). A mudança ocorreu após a Polícia Federal enviar ao Supremo, na última segunda-feira (9), um relatório com menções ao nome de Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O banco é investigado por suspeita de fraude financeira. A escolha de Mendonça foi feita por sorteio, em sistema eletrônico do STF. Veja abaixo como funciona a distribuição de processos no Supremo, quando pode haver mudança de relatoria e o que muda (e o que não muda) com a troca. Como é feita a escolha dos relatores no STF? A divisão de processos entre os ministros é chamada de distribuição. Ela ocorre diariamente e, em regra, pode acontecer de duas formas: por sorteio por prevenção No sorteio, a escolha é automática e aleatória, feita por sistema eletrônico. A ideia é garantir distribuição impessoal e equilibrada. Já na prevenção, o ministro que já conduz um caso sobre determinado tema pode receber os demais processos ligados ao mesmo assunto. O objetivo é evitar decisões conflitantes. O que é 'prevenção' e quando ela vale? A prevenção ocorre quando o STF entende que um processo novo tem ligação com outro já em andamento no tribunal. Nesse caso, uma análise técnica avalia se existe conexão suficiente para que o caso fique com o mesmo relator. Quem participa da distribuição no Supremo? Pelas regras internas do STF, 10 dos 11 ministros podem participar. A exceção é o presidente do tribunal, que não entra na distribuição geral porque já é relator automático de alguns tipos de processos. Também ficam fora da distribuição: ministros com cadeira vaga; ministros licenciados ou em missão oficial por mais de 30 dias; ministros que se declararam suspeitos ou impedidos; ministros cujo nome esteja ligado diretamente ao ato discutido no processo; ministros nos 60 dias anteriores à aposentadoria. Há ainda exclusões temporárias previstas para o ministro que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em período eleitoral. No caso Master, quem ficou fora do sorteio? No sorteio que definiu André Mendonça como relator dos procedimentos do caso Master, não participaram: o presidente do STF, Edson Fachin; o ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria. A relatoria pode mudar depois da escolha? Sim. Quando a distribuição ocorre por prevenção, o relator pode enviar o caso para a Presidência avaliar se a conexão está correta. O presidente pode: manter o processo com o relator escolhido; ou determinar a redistribuição. Além disso, o próprio ministro pode se declarar suspeito ou impedido. O que é suspeição e impedimento? Suspeição e impedimento são mecanismos usados quando existem circunstâncias que colocam em risco a imparcialidade do julgador. Isso pode ocorrer, por exemplo, em casos de: vínculo de parentesco com envolvidos; relação econômica; relação de amizade ou inimizade; outros fatores previstos em lei. Se o ministro se declara impedido ou suspeito, o caso é redistribuído. Toffoli foi considerado suspeito no caso Master? Não. Na nota divulgada nesta quinta-feira (12), os 10 ministros do STF afirmaram que não houve reconhecimento de suspeição. Segundo o tribunal, Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os ministros registraram que a decisão de deixar a relatoria ocorreu com base em regra interna que permite ao relator submeter à Presidência questões relacionadas ao bom andamento dos processos. O que acontece com as decisões já tomadas por Toffoli? O STF afirmou, na mesma nota, que os ministros reconheceram “a plena validade dos atos praticados” por Toffoli na relatoria dos procedimentos sobre o Banco Master. Ou seja: as medidas tomadas até aqui permanecem valendo. Por que a escolha do relator é importante? A Constituição prevê o princípio do devido processo legal e também a garantia do juiz natural. Isso significa que: ninguém pode escolher previamente quem vai julgá-lo; o julgamento deve ocorrer pela autoridade competente; deve haver imparcialidade. Se houver parcialidade reconhecida, atos do juiz podem ser anulados. Qual é o papel do relator no STF em casos criminais? Nos procedimentos penais, o relator tem papel central na condução do caso. Cabe ao ministro: autorizar a abertura de inquéritos; supervisionar a investigação; autorizar diligências, como depoimentos, buscas e apreensões e prisões; avaliar se o caso deve ser enviado a instâncias inferiores, quando não for competência do Supremo. Se a PGR apresentar denúncia, o relator do inquérito costuma seguir na relatoria quando a ação penal for instaurada. O relator decide tudo sozinho? Não. Em regra, em casos penais, o relator toma decisões durante a fase de investigação, mas pontos centrais são decididos pelo colegiado. Isso ocorre, por exemplo: quando a PGR pede abertura de ação penal; quando o STF julga o mérito do caso, com condenação ou absolvição.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/14/mendonca-na-relatoria-do-caso-master-entenda-o-que-esta-em-jogo-e-o-que-vem-pela-frente.ghtml


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