Meninas são resgatadas pela PRF após saírem do garimpo ilegal Sararé com três homens desconhecidos em MT
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Força-tarefa combate garimpo no território indígena mais devastado do país
Duas meninas, uma de quatro e outra de seis anos, foram resgatadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na quinta-feira (29) dentro de um carro com três homens desconhecidos após saírem do garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT), que também alcança os municípios de Conquista D'Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade. Elas passam bem.
O território é um dos mais desmatados na Amazônia Legal por causa da exploração ilegal de ouro, que se intensificou nos últimos anos com a presença da facção criminosa Comando Vermelho.
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A caminhonete em que elas estavam foi abordada pelos agentes no km 25, na BR-174, que dá acesso ao garimpo.
Ao g1, o agente Zibetti da PRF, que atuou na ocorrência, contou que o motorista foi contratado pela própria mãe das crianças para tirá-las do garimpo diante de uma suposta ameaça de ação da polícia no local.
"As crianças estavam no garimpo com a mãe. Já começa errado isso. Ela fica sabendo de uma suposta ação da polícia no garimpo e contratou um estranho, que está junto com outros estranhos, e deixou as crianças irem com eles", afirmou.
O motorista disse que trabalha como freteiro, que faz frete do garimpo para a cidade, e confirmou que a mãe o contratou para levar as meninas.
Os agentes, de imediato, retiraram as crianças da caminhonete e acionaram o Conselho Tutelar.
Segundo a PRF, não houve nenhuma violência ou abuso. Um dos homens, contudo, tinha passagem criminal por violência doméstica pela Lei Maria da Penha.
Uma equipe do Conselho foi ao local e levou as menores até a cidade, onde localizaram a mãe, que saiu do garimpo depois.
Duas meninas são resgatadas pela PRF em carro com três homens desconhecidos após saírem do garimpo Sararé em MT
PRF
Sararé
As forças de segurança atuam de forma integrada e permanente no garimpo ilegal Sararé. O objetivo é expulsar todos os garimpeiros e resgatar a tranquilidade da terra aos indígenas. Com isso, a operação não tem prazo para ser encerrada.
Em outubro do ano passado, membros da facção criminosa que controlam o local ainda estariam escondidos no interior da terra indígena fortemente armados e chegaram a trocar tiros com agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Parte desse grupo é investigado, também, pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
A operação é coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás.
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Devastação
Dos 67 mil hectares da Sararé, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.
Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.
Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país
Reprodução JN