Mortes pelo Baep de Piracicaba mais que triplicam em um ano; 'fora da normalidade', diz especialista

  • 21/02/2026
(Foto: Reprodução)
10º Baep, de Piracicaba 10º Baep O 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de Piracicaba (SP) se tornou o segundo mais letal do estado de São Paulo em 2025, após registrar aumento de 263% nas mortes por intervenção policial. O batalhão registrou 11 mortes em 2024 e 40 em 2025, que significa alta de 3,6 vezes. Ficou atrás apenas da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da capital paulista, que contabilizou 67 mortes no ano passado. Os dados são do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo, que atua no controle externo da atividade policial. Para o especialista em segurança pública Rafael Rocha, do Instituto Sou da Paz, o crescimento é “totalmente fora da normalidade”. Siga o g1 Piracicaba no Instagram Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que "a análise isolada da letalidade não retrata o cenário completo da atuação policial na região de Piracicaba". A pasta defende que, em 2025, foram realizadas 20.454 prisões e apreensões de infratores, além da apreensão de 1.179 armas de fogo e mais de 4 toneladas de drogas, o que representa crescimento de 101,86% em relação a 2024. "Esses números são resultado do enfrentamento permanente ao tráfico, ao porte ilegal de armas e às organizações criminosas, o que influencia diretamente o volume de ocorrências de alto risco. Nesse período, a região apresentou reduções nos homicídios (-25%), roubos em geral (-28%) e furtos em geral (-9,67%)". 'Fora da normalidade', diz especialista Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Rocha, o aumento não pode ser explicado por um único fator. Para ele, há um conjunto de elementos estruturais, políticos e operacionais, como possível uso inadequado do Baep, mudança de diretriz no comando e enfraquecimento da política de câmeras corporais. Rocha afirmou ainda que, embora a região tenha disputas entre grupos criminosos, isso não explica sozinho o aumento expressivo das mortes. No mesmo período, os homicídios na região caíram 25%, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). “A letalidade policial em serviço no ano passado aumentou 6% em comparação com 2024 e temos o 10º BAEP que aumentou 260%. Então, é totalmente fora da normalidade, é absurdo e tem que ser entendido o que levou na região de Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Americana, a um aumento tão desproporcional como esse”, afirma Rocha. Natureza e uso atual do Baep Inauguração do 10º Baep em Piracicaba, em 2019 Governo do Estado de São Paulo/Divulgação Outro ponto citado por Rocha é a própria natureza do Baep. A unidade foi criada em 2013 para atuar no combate ostensivo a crimes de alta complexidade. À época, o foco eram ações conhecidas como “novo cangaço”, praticadas por grupos fortemente armados, especializados em roubos a bancos. "Os Baeps foram criados em modelo parecido com o da Rota, que tivesse resposta rápida, extremamente armada, voltado para um combate mesmo, um confronto com a criminalidade extremamente armada também [...] e funcionou naquela época. Acho que isso tem importante ser dito, junto com outras medidas de investigação”, comenta Rocha. Segundo o especialista, atualmente o BAEP tem sido empregado em policiamento comum e em "batidas" em bairros periféricos. “Ele [BAEP] faz policiamento normal, só que não é um grupo normal. Ele não é feito para isso. Eles não são treinados para isso. É quase como aquele ditado: ‘se você tem um martelo, tudo é prego’”, explica o especialista. O 10° BAEP de Piracicaba foi implantado na cidade em 2019 e é responsável por 52 cidades – veja a lista completa aqui. Região sem câmeras corporais Câmeras corporais PM Reprodução/EPTV A ausência de câmeras corporais também pode influenciar o aumento da letalidade, segundo o especialista. A região de Piracicaba ainda não conta com câmeras operacionais portáteis (COPs), usadas no uniforme dos policiais. A SSP não informou quando os equipamentos serão instalados. Disse apenas que o cronograma segue critérios de prioridade de risco. Após morte de jovem baleado por PM, ouvidor da polícia cobra câmeras corporais para região de Piracicaba Rocha afirma que não basta gravar as ações. É necessário supervisionar as imagens, revisar protocolos operacionais e promover treinamentos quando preciso. Ele também defendeu que toda ocorrência com disparo de arma de fogo seja obrigatoriamente revisada. A SSP informou que mantém ações para aperfeiçoar o trabalho policial e reduzir a letalidade, com revisão de protocolos, capacitação de agentes e uso de tecnologia. Padrão nas mortes Policiais do Baep apoiam operação do Gaeco em Piracicaba Divulgação/Gaeco Segundo o MP-SP, há um padrão nas mortes por intervenção policial em Piracicaba e no estado. Entre os problemas apontados estão a demora na comunicação das ocorrências e a falta de preservação adequada do local do crime. “Estes fatores dificultam a apuração precisa dos fatos e requer providências institucionais que extrapolam apenas a região de Piracicaba", aponta. "Este é um dos motivos pelos quais se pretendeu a construção do referido protocolo local, com comunicação às instâncias superiores. Enquanto não houver esforço coletivo de todas as instituições para garantir que esses casos sejam devidamente investigados desde o momento imediato à ocorrência, pouco poderá ser feito para o esclarecimento devido de cada fato”, informou a promotoria. Atuação do MP Operação do BAEP em Rio Claro, SP 10° Baep/Divulgação A 2ª Promotoria de Piracicaba informou que realizou reuniões com a Polícia Civil, o Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal. O objetivo foi elaborar um protocolo para aprimorar as investigações, especialmente em casos de mortes por intervenção policial. “O texto final foi concluído em 6 de fevereiro e deve começar a ser implementado na primeira semana de março, com recomendações às instituições que integram a segurança pública local, incluindo a Guarda Municipal e a Polícia Militar”, escreveu o MP. O que diz a SSP? A SSP informou que as mortes por intervenção policial são investigadas pelas Polícias Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. “Por meio desse conjunto de ações, desde 2023, mais de 1,2 mil agentes foram presos, demitidos ou expulsos das corporações por desvios de conduta, enquanto houve redução de 5% no número de mortes em confronto em comparação aos três primeiros anos da gestão anterior”, informa a SSP. Segundo a pasta, unidades como a Rota e Baeps são empregadas em operações sensíveis, de alta complexidade e risco, com atuação integrada com setores de inteligência. “Esses fatores, somados à intensificação do combate a facções criminosas com atuação na região e no Estado, influenciam diretamente o tipo de ocorrência enfrentada pelas equipes”, afirma. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/02/21/mortes-por-policiais-do-baep-de-piracicaba-mais-que-triplicam-em-um-ano-totalmente-fora-da-normalidade-analisa-especialista.ghtml


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