‘Pode ficar tranquilo’: mensagem revela que mulher presa por vender bebida com metanol tentou acalmar comerciante após repercussão
26/01/2026
(Foto: Reprodução) ‘Pode ficar tranquilo’: mulher presa por vender bebida com metanol tentou tranquilizar comerciante após repercussão
O Fantástico revelou mensagens extraídas do celular de Vanessa Maria da Silva, presa e condenada por falsificação de bebidas. As conversas revelam que, em meio à repercussão dos casos por intoxicação por metanol, Vanessa enviou uma mensagem para tranquilizar o dono de um bar. Ela garantia que “a mercadoria dela não tinha problema”.
“Pode ficar tranquilo quanto aos coisas que vocês têm ai. Não é da procedência que está passando ok. Não terá nenhum problema”, escreveu Vanessa no texto divulgado pela reportagem.
Mesmo assim, o comerciante respondeu dizendo que preferiu recolher o produto das prateleiras.
Outra revendedora também procurou Vanessa, relatando que uma cliente havia reclamado do cheiro forte de álcool em uma das garrafas. Preocupada, ela ponderou:
“Ela falou: eu cheirei aqui, é puro álcool. Então, numa dessas, já pensou se dá um problema e a pessoa vai parar no hospital? A pessoa está pensando que está tomando vodca e está tomando álcool?”
Investigação e prisão
Vanessa está no centro da investigação sobre intoxicação causada pelo consumo de bebida adulterada. Segundo a polícia, Vanessa foi responsável pela morte de pelo menos duas pessoas.
Vanessa foi presa em flagrante em uma fábrica clandestina de bebidas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. No local, a polícia encontrou recipientes de plástico com metanol.
Durante a operação, foram apreendidos documentos e o celular da falsificadora. A partir desse material, foi possível desvendar como funcionava a distribuição clandestina. Vanessa trabalhava com uma série de revendedores, e as bebidas fabricadas por ela estavam espalhadas por toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Com o material recolhido pela polícia, foi possível montar um mapa e identificar os estabelecimentos que compraram bebidas da fábrica clandestina. Todos faziam os pedidos por meio de intermediários que trabalhavam para Vanessa.
Vanessa foi presa em outubro e julgada em dezembro. Ela foi condenada em primeira instância a sete anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de falsificação de bebidas. O Fantástico teve acesso às imagens do julgamento.
Questionada pela juíza, Vanessa negou que vendesse bebida falsificada. Disse que o local onde a polícia encontrou a fábrica era uma garagem de uso comum dos moradores, mas reconheceu que sabia que ali havia materiais usados para a fabricação de bebidas.
Os investigados no entorno de Vanessa são o cunhado, o ex-companheiro e o pai dela. Em depoimento, o ex-cunhado, Gilmar Silva dos Santos, confessou que falsificava vodcas, mas com bebidas mais baratas. Ele negou o uso de metanol e confirmou que Vanessa manipulava bebidas.
O Fantástico não conseguiu localizar as defesas do pai, João Antônio da Silva, e do ex-marido, Renan Felizardo Martins. O advogado de Vanessa questiona a forma como a polícia teve acesso aos dados do celular dela.
Segundo a investigação, as bebidas falsificadas de Vanessa provocaram as duas mortes de clientes do bar da Zona Leste de São Paulo e deixaram outro homem cego. A polícia acredita que pode haver mais vítimas, especialmente em São Bernardo do Campo, onde ficava a fábrica clandestina.
De acordo com o Ministério da Saúde, até a última sexta-feira, foram registrados 25 casos fatais no país, em um total de 76 pessoas intoxicadas após ingerirem bebidas com a substância. Houve um crescimento de mais de 400% no número de casos de adulteração no país de 2024 para 2025, o que aumenta os cuidados que comerciantes devem ter.
Após repercussão, mulher presa por vender bebida com metanol tentou tranquilizar comerciante
Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Exclusivo: o esquema de falsificação comandado por uma mulher e que distribuia bebida batizada por toda a Grande São Paulo
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