Prédio alugado por R$ 50 mil para atender migrantes e refugiados venezuelanos em Manaus está sem uso

  • 27/04/2026
(Foto: Reprodução)
Prédio alugado por R$ 50 mil para atender migrantes em Manaus está sem uso Venezuelanos continuam deixando o país sul-americano e vindo para Manaus em busca de melhores condições de vida. Enquanto a sala de atendimento a estrangeiros no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foi desativada por falta de pagamento, desde o ano passado o Governo do Amazonas paga quase R$ 50 mil pelo aluguel de um prédio que deveria atender essas pessoas, mas o local está vazio. O prédio fica no bairro Cidade Nova, Zona Norte da capital. O local foi designado para oferecer atendimento a estrangeiros em busca de regularização no Brasil, enquanto estão em Manaus. Basta olhar na fachada, que indica o uso do espaço para o serviço público. São quase novecentos metros quadrados. Lá dentro já tem ar-condicionados e extintores de incêndio instalados, até o interfone já está funcionando, mas não há ninguém no espaço. Moradores e comerciantes disseram à reportagem que há muito tempo o local está vazio. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Ao todo, o contrato de aluguel de três anos para o novo Posto de Interiorização e Triagem (Ptrig) é de quase R$ 2 milhões. Aproximadamente R$ 50 mil estão sendo pagos por mês, desde novembro do ano passado, por um local que ainda está vazio. Segundo a secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Jussara Pedrosa, procedimentos administrativos justificam o espaço inoperante. "Para as próximas semanas eles já vão instalar a rede lógica para poder colocar os computadores e toda a equipagem pra migrar o Ptrig pra lá. A gente precisava fazer a contratação da rede lógica pra lá. Daqui 2, 3 semanas a gente começa a mudança pra lá. O prédio alugado fica a quase oito quilômetros da rodoviária de Manaus, por onde chega a maioria dos estrangeiros em busca de refúgio. É quase a mesma distância do Aeroporto Internacional da cidade, onde a Sejusc tinha um posto de atendimento ao migrante, que também está vazio desde o início do ano. É que o governo do estado não vinha pagando o aluguel de noventa reais por mês. Um boleto obtido pela Rede Amazônica em nome da Sejusc, do ano passado, comprova o valor. Em uma carta de duas páginas, enviada para o governo estadual aos cuidados da secretária Jussara Pedrosa, os diretores da administradora do aeroporto esclarecem que é adotada política uniforme de rateio de despesas para todos os órgãos públicos instalados no aeroporto. Eles deram trinta dias para a secretaria regularizar os débitos existentes. Segundo Pedrosa, não há documento firmado com o aeroporto em relação a isso. "Não existe uma dívida. Eles emitem um boleto em nome de uma secretaria ou quem quer que seja de parceria, mas para emitir um boleto e ter uma confissão de dívida precisa ter um contrato, alguma coisa formal. Existe? Não existe", afirmou a secretária. Posto de Interiorização e Triagem (Ptrig) está sem uso em Manaus. Vinicius Assis/Rede Amazônica Sabores e saberes ancestrais: indígenas valorizam cultura através do empreendedorismo em Manaus Abrigo fechado e assistência improvisada Enquanto o novo prédio alugado não é inaugurado, servidores do estado responsáveis pela regularização de documentos e da Polícia Federal atendem migrantes provisoriamente em uma sala no fundo do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, há quase dois anos. E estrangeiros continuam vindo para Manaus. A filha da professora Maria Isabel está entre os últimos venezuelanos que chegaram. Pelo que ela conta, a prisão do ex-ditador Nicolás Maduro não melhorou a situação do país vizinho ainda. "A luz se vai todos os dias. Com essa questão de dólar que sobe todos os dias é um caos total", conta Maria Isabel. A jovem pelo menos tem onde ficar, já que a mãe vive aqui há quase sete anos em Manaus, mas essa não é a realidade de todos os migrantes que ainda estão chegando, principalmente vindos da Venezuela. Quem chegava sem ter, inicialmente, onde ficar, costumava encontrar abrigo em Manaus em um alojamento na Avenida Torquato Tapajós, até semanas atrás. O abrigo foi desativado depois de ter sido inundado por uma forte chuva, no fim de março. Cerca de vinte venezuelanos que estavam aqui tiveram que ser retirados às pressas, inclusive com o apoio do exército. Na semana passada, outra chuva alagou o local. A Rede Amazônica teve acesso a um vídeo que mostra um dos seguranças tentando salvar uma impressora que estava no chão. A secretária disse que a água não chegou até os alojamentos e que nada foi danificado e ainda que a função de achar um abrigo a quem precisa, agora, é da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas). São apoios considerados muito importantes para Lis Martinez, que há anos coordena, em Manaus, projetos de capacitação de venezuelanos, inclusive mães solo que não querem depender de assistencialismo. "O migrante, é possível que, no princípio, precise de ajuda, mas ele é como um bebê: ele vai dando pequenos passos e vai crescendo, e à medida que vai crescendo, ele vai trabalhar, vai pagar impostos, todos pagamos impostos, vai criar um negócio, como muitas de nossas empreendedoras que já têm negócios e geram empregos. Pagam aluguel e, no futuro, muitas dessas pessoas também vão votar." Professora venezuelana Maria Isabel e a filha falam sobre os desafios de ser migrante Vinicius Assis/Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/27/predio-alugado-por-r-50-mil-para-atender-migrantes-e-refugiados-venezuelanos-em-manaus-esta-sem-uso.ghtml


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