Síndico alegou que corretora teria sido morta por disparo acidental, diz polícia
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Imagens recuperadas do celular de Daiane Alves provam que síndico planejou morte
O síndico suspeito de matar a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, disse à Polícia Civil que ela teria sido vítima de um disparo acidental. De acordo com o delegado André Luiz, Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, contou que eles tiveram uma luta corporal e não soube precisar quem havia dado o disparo.
“Ele afirmou que já portava essa arma, então ela por ser uma lutadora de jiu-jitsu teria conseguido tomar a arma ali, a arma caiu e a quatro mãos, termos utilizados por ele, tinha acontecido o disparo que ele não recordava”, pontuou André.
Cléber foi preso no dia 28 de janeiro. Em nota, a defesa dele disse que ainda não teve acesso a todos os documentos recentemente inseridos na investigação, principalmente ao relatório final. Assim, vai se manifestar só após a análise de todo o conteúdo.
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Daiane foi atacada no prédio em que morava, em Caldas Novas, no dia 17 de dezembro de 2025. Como o crime não contou com testemunhas e, inicialmente, sem imagens, o delegado explicou as investigações partiram do depoimento dado por Cléber, mas que ao usar o produto luminol para tentar identificar manchas de sangue no local onde o tiro teria ocorrido, ficou comprovado que as manchas eram incompatíveis com o tiro descrito por ele.
“O luminol mostrou pouco sangue incompatível com um possível tiro na cabeça. A perícia do disparo mostrou claramente que qualquer disparo dado no subsolo era plenamente ouvido na recepção”, destacou André.
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Cléber também havia dito aos policiais que Daiane foi morta com apenas um disparo na cabeça. Após a perícia do Instituto Médico Legal (IML) concluir os exames no corpo, o delegado destacou que ficou claro que a versão dada pelo síndico era incompatível, já que ficou constatado que ela foi vítima de dois disparos.
De acordo com a Polícia Civil, Cléber deve responder por homicídio triplamente qualificado, sendo por motivação torpe, meio cruel e emboscada, além de ocultação do cadáver.
Vítima filmou ataque
Vídeo mostra momento em que corretora é atacada no subsolo de prédio
O celular da corretora foi jogado em uma caixa de esgoto após ela ter filmado o momento em que foi atacada pelo síndico. Segundo o delegado André Luiz, o aparelho foi encontrado pela polícia somente 41 dias após o crime. Com ele, os investigadores conseguiram recuperar a gravação (veja acima).
No vídeo, Daiane mostra seu trajeto até o subsolo, onde pretendia ter acesso ao padrão de energia do apartamento dela, que acreditava estar desligado. Ao chegar ao andar, ela vê o síndico.
"Olha quem eu encontro. Acabou de perder minha energia no 402. Vamos ver se essa brincadeira está continuando", diz Daiane na gravação eu encontrar Cléber.
Pouco após isso, quando consegue localizar o disjuntor do apartamento, ela é surpreendida pelo suspeito e o vídeo é interrompido.
Daiane gravava vídeos mostrando a queda de energia e enviava a uma amiga. Porém, o vídeo que mostra o ataque do síndico não chegou a ser enviado.
O celular foi encontrado pela polícia no dia 30 de janeiro, quando foi feita uma perícia no prédio, e o síndico, que já estava preso, indicou o local. O celular ficou no esgoto por 41 dias.
Motivação
Câmera de segurança registra discussão entre síndico e corretora que desapareceu
As brigas entre o síndico Cléber e a corretora Daiane começaram após ele perder a administração de seis apartamentos para ela, que pertenciam a família da corretora, segundo André. Uma câmera de segurança registrou uma das discussões entre eles (veja acima).
No vídeo, registrado pelas câmeras de segurança do condomínio em fevereiro de 2025, o síndico conversa com o padrasto de Daiane, Arnaldo Silva, de 79 anos, e entra em uma recepção com porta de vidro. Após fechar a porta, Daiane chega e bate na porta, afirmando que não queria que o síndico ficasse sozinho na sala com o familiar dela. Logo em seguida, ela diz que Cléber a tinha agredido.
O delegado destacou que o crime teria sido motivado por esses atritos. Segundo a família de Daiane, ao todo, o síndico responde a 12 processos envolvendo a corretora.
No processo mais recente, em 19 de janeiro, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou Cléber pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, uma vez que ele é síndico do local onde ela residia.
Cleber Oliveira está preso suspeito da morte da corretora de imóveis Daiane Alves
Arquivo Pessoal/ Fernanda Alves e Wildes Barbosa/O Popular
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