Ricardo Salles diz que Brasil devia ter 'cedido' para evitar tarifaço dos EUA: 'Foi para o tudo ou nada'
21/07/2026
(Foto: Reprodução) Ricardo Salles durante evento em Piracicaba
Victor Hugo Bittencourt/EPTV
Candidato ao Senado por São Paulo pelo Partido Novo, o deputado federal Ricardo Salles criticou o governo Lula na condução das negociações com os Estados Unidos em relação à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A tarifa, que começa a ser aplicada nesta quarta-feira (22), foi anunciada na semana passada, após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).
🔎 A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
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Durante um evento para o setor metalúrgico em Piracicaba (SP), nesta terça (21), Salles afirmou que o brasil deveria ter cedido em troca de não haver a adoção da tarifa.
"O Brasil precisava ter negociado melhor com os Estados Unidos e não criar uma barreira dizendo, 'olha, eu sou contra a tarifa'. Você pode ser contra a tarifa, aliás, nós somos totalmente contra a tarifa, mas negociação é isso, você cede em alguma coisa para receber outra. A postura que o governo Lula tomou foi de não negociação, foi de contraponto absoluto, quase que querendo que viesse o tarifaço para poder explorar isso politicamente."
"E você, com um governo de um país muito maior que o nosso, não vale a pena se contrapor. Você tem que realmente negociar, saber que algumas coisas você vai perder, mas consegue ganhar outras. E a impressão que nós temos, e várias pessoas estão dizendo isso, que se participaram mais dessas negociações, é que o Brasil foi para o tudo ou nada com os Estados Unidos", complementou.
O candidato também rebateu a ideia de que políticos brasileiros de direita tenham atuado em favor das tarifas junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Eu não acho que houve uma advocacia em favor do tarifas. O simples fato de que há um alinhamento político, diria, do presidente Trump com a direita brasileira, não quer dizer que a direita trabalhou pelo tarifas. O que eu percebo é que, embora tenham havido reuniões do Brasil com os Estados Unidos, eram reuniões de pouca negociação, muita contraposição."
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Tarifas
O governo calcula que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas com o novo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos do Brasil.
Apesar disso, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.
Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, dos dez produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa.
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